Retrato de Kádina Bastos

Nome: Kádina Bastos

Negócio: Ateliê Kádina Bastos

Área do Negócio: Raízes do Rio

Bairro/Cidade: Bangu/RJ

Tel: (21) 99351 – 9767

Instagram: @kadinabastos

 

A história de Kádina pode ser vista como um imenso painel em que se misturam costura, sustentabilidade, trabalho social e educação. Hoje ela atua principalmente na capacitação de outras mulheres. Mas a costura chegou cedo: aos 12 anos ganhou sua primeira máquina porque queria ser costureira, como sua mãe. “Eu falo que a costura me escolheu, não fui eu que a escolhi. Eu venho de uma família de costureiras e artesãs, do nordeste. Minha mãe era baiana e meu pai era de Sergipe. Minhas primas são costureiras, artesãs, uma é cabeleireira. Temos o empreendedorismo na veia”.

Kádina trabalhou muitos anos em confecção. Quando veio a maternidade, ficou mais difícil. Um patrão então passou trabalho para fazer em casa, e assim ela foi comprando máquinas para o Ateliê Kádina Bastos, chegando até a formar uma cooperativa. Foram mais de dez anos no circuito das feiras, expondo seus trabalhos de moda afro, turbantes e acessórios. Sempre com a pegada da sustentabilidade. “Meu trabalho tem um traço muito forte da minha história, minhas memórias afetivas. A sustentabilidade, por exemplo. Nossas mães já faziam isso – remendavam roupa, reaproveitavam, trocavam com outras mulheres – isso tudo vem lá de trás. Estou sempre resgatando minha história; minha referência é minha mãe”.

O que era intuitivo ganhou técnica: Kádina fez cursos e aprimorou suas habilidades, integrando movimentos como Fashion Revolution Brasil – que discute os excessos da indústria da moda e seu impacto no meio ambiente – e o programa Moda Justa e Sustentável, do Sebrae, além do Fórum Estadual de Mulheres Negras, do RJ . “Eu hoje trago isso tudo para a sala de aula”. A guinada definitiva para a educação se deu após a pandemia, época em que o trabalho social – que sempre esteve presente na sua vida – ganhou uma intensidade inesperada. Kádina abandonou o ateliê porque entendeu que tinha que mudar: já não se sustentava financeiramente e estava perdendo sua identidade: “Eu não conseguia mais separar aquelas dores, daquelas mulheres; as dores estavam sempre comigo dentro de casa”.

A solução, curiosamente, veio dos próprios cursos que fazia. “Eu aproveitei o tempo da pandemia também para fazer vários cursos online. E a gente vai migrando, através da ASPLANDE, essa rede de apoio, uma fala de outra, outro curso,… Aí uma consultora viu meu jeito, meu gosto para ensinar, e me incentivou a seguir esse caminho. Eu não tinha noção de que eu podia ensinar, ajudar e receber por isso”.

A relação de Kádina com a ASPLANDE começou há mais de 10 anos. Foi uma guinada na minha vida conhecer essa rede de mulheres tão dedicadas, entusiasmadas com o trabalho”. Aos 61 anos ela diz não aguentar mais o circuito das feiras. Mas se reinventou. “Nós, mulheres da ASPLANDE, ficamos velhas mas não desistimos não! Dizemos que é treinamento de guerra: entra peixe e sai tubarão!

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Escrito por Cristina Amaral, voluntária da ASPLANDE