Retrato de Claudia Maria Lutete
Nome: Claudia Maria de Jesus Lutete
Negócio: República Gastronômica
Área do negócio: Sabores do Rio
Contato: (21) 99411-1978
Instagram: @republicagastrinomicarj
Cláudia Maria Lutete, a Claudinha, é empreendedora da gastronomia ancestral brasileira e divulgadora da cozinha afro-brasileira. À frente da República Gastronômica, transformou sua paixão pela culinária afro-diaspórica em um negócio reconhecido.
Sua trajetória começou no Festival de Gastronomia Preta, quando decidiu criar um prato típico africano. Por meio do marido, natural da República Democrática do Congo, conheceu o arroz Jollof, tradicional em países da África Ocidental, como a Nigéria. A identificação com o prato foi imediata e cheia de significado, isso porque sua primeira experiência na cozinha, ainda na infância, também foi preparando arroz.
Encantada pelo sabor e riqueza histórica da receita, pesquisou seu preparo em vídeos e conteúdos de cozinheiros africanos. Nessa pesquisa, percebeu que o Jollof também tinha um significado afetivo, pois o primeiro prato que preparou foi arroz. Aos dez anos, quando a mãe foi para a maternidade ter a irmã mais nova, precisou cozinhar para o pai. Sem experiência, fez uma enorme panela de arroz, suficiente para vários dias. Hoje, ao preparar o Jollof, reconecta-se com essa lembrança e com o início de sua trajetória na culinária.
Com dedicação, desenvolveu uma versão autêntica do Jollof, preservando temperos, especiarias e tradições africanas. Atualmente, vende seus pratos em festivais, eventos e na Feira da Glória, aos domingos. Seu público reúne brasileiros e estrangeiros, especialmente nigerianos e norte-americanos. Para os brasileiros, sua culinária é uma forma de conhecer a África por meio da gastronomia.
Além da culinária ancestral, Claudinha tem ampla experiência no empreendedorismo. Há mais de 22 anos mantém um quiosque em Vigário Geral, onde iniciou sua caminhada vendendo açaí artesanal, salgados, pastéis e petiscos. O negócio ganhou a marca República do Açaí e Cia. Mais tarde, criou a República Gastronômica, voltada à gastronomia afro. Formalizada como MEI desde 2011, reorganizou sua atuação no ano passado, passando a operar com um novo CNPJ.
Sua relação com a ASPLANDE começou há cerca de três anos, por indicação de amigas empreendedoras. Nos cursos da instituição encontrou apoio para estruturar ideias, fortalecer a confiança e transformar projetos em realidade. Na época, enfrentava uma crise de identidade profissional por ser reconhecida apenas como “a Cláudia do Açaí”, situação agravada pela redução das vendas no inverno. Nesse contexto, a gastronomia ancestral se consolidou como uma nova fonte de renda, mais sustentável ao longo do ano.
Claudinha destaca a importância da ASPLANDE em sua trajetória. Além de participar dos cursos, tornou-se divulgadora do projeto entre outras empreendedoras, fortalecendo uma rede de apoio baseada em conhecimento, acolhimento e crescimento coletivo. Na culinária, encontrou uma forma de expressar seu cuidado com as pessoas, vendo no ato de cozinhar uma maneira de acolher, conectar e cuidar.
Escrita por Macieli Freitas, voluntária da ASPLANDE.
