Retrato da Renata Lara

Nome: Renata Lara.

Negócio: Casa Anitcha e Festival Desapegue-se.

Área de negócio: Casa colaborativa, ponto de cultura e moeda social.

Bairro/Município: Grajaú/ Grande Tijuca.

Contato: (21) 99966-8342.

 

Durante nossa trajetória de vida passamos por constante mudanças, sejam elas físicas, profissionais, pessoais ou espirituais. Se pensarmos no conceito budista essas mutações são marcas da existência, pois tudo compõe o universo que habitamos. Renata Lara, 48 anos, em 2008 começou a perceber como tais mudanças fazem a diferença e assim criou a Casa Anitcha. O nome Anitcha é uma menção de Anicca, original do antigo idioma indiano páli, na qual significa “impermanência”, segundo o budismo. E, assim, a partir de encontros com amigos no salão de 60 metros quadrados, no Grajaú, bairro da Zona Norte do Rio, nasceu o empreendimento social e sustentável. Nos encontros houve uma inquietação do grupo composto por Renata e 3 amigos para abrirem um espaço dedicado a cultura, já que o bairro localizado na Grande Tijuca não existia nenhum tipo de entretenimento para a população local. Debate, cineclube e sarau são alguns exemplos de eventos ocorridos no salão.

Após 6 meses, a empreendedora conheceu o Sebinho nas Canelas, projeto que leva livros infantis para trocas na Praça Pio XI, no Jardim Botânico, “através dessa inspiração (Sebinho nas Canelas) surgiu o Festival Desapegue-se era para público em geral, no início a gente só trocava livros, CD e DVD, final de 2008”, conta. Nesse mesmo período de tempo, Renata Lara conheceu por meio da internet o Instituto Ecobairro Brasil, programa que promove e apoia ações que busquem tornar as cidades mais sustentáveis e pacíficas, especialmente levar suas diretrizes para bairros urbanos, “conhecer o Ecobairro acendeu uma chama em mim. Fez muito sentido o modo que eles trabalham, a forma que levam a cultura de paz e sustentabilidade para comunidades. Eu falei: ‘é isso’ “, afirma. Ainda com o Ecobairro, descobriu em 2009, o curso de design sustentável pela Gaia Education, que é um programa de dinâmicos estudos presenciais baseados na metodologia da Global Ecovillage Network (GEN), iniciativas de ecovilas mundial, “o curso do Gaia Education abriu muito a minha mente para um mundo que eu não imaginava. O curso tinha 70 pessoas na turma e eu ganhei 70 irmãos, somos conectados até hoje”, lembra. Após sua participação no curso online, a empreendedora social fez treinamento do Transitions Town no português Cidades em Transição, é um movimento com objetivo desenvolver competências para a transformação das cidades urbanas em cidades sustentáveis, a formação fez todo sentido para Renata Lara, “eu fui uma das 7 mulheres a compor o Cidades em Transição. Existe uma web série comigo. Isso é muito gratificante”, diz.

Atualmente, a Casa Anitcha tornou-se uma casa aberta à comunidade. O projeto também aderiu a nova economia ou economia compartilhada como norte. Para tanto acontecer, a NIT – é a moeda social da Casa Anitcha, baseada em crédito mútuo. Ela funciona através de um aplicativo chamado Cyclos4 que é uma plataforma Open Source com sistema de pagamentos online, e-commerce e ferramentas de comunicação. A moeda social é uma das maiores ferramenta de desenvolvimento sustentável e de fortalecimento da economia local que temos hoje no mundo. 58 pessoas já se cadastraram no aplicativo desde setembro de 2019 e já utilizam, tanto para conseguirem produtos e serviços da Casa Aniticha e entre elas, “existem algumas formas para adquirir a NIT como: comprando com moeda real (1NIT = 10 reais), sendo voluntário e fazendo tarefas remuneradas para o empreendimento, sendo expositor do Festival Desapegue-se, oferecendo cursos e terapias na casa, no e-commerce do app”, explica. Além da própria moeda, a Casa Anitcha segue preceitos de conectar pessoas e criar redes para gerar abundância e prosperidade. O empreendimento conta com parcerias fora do país para continuar os trabalhos, “trabalhamos com o resgate para resignação da vida. Hoje diante da crise econômica e competição as pessoas estão ficando doentes. A Casa Anitcha vem para potencializar a resiliência e o amor”, dispara.

A questão da sustentabilidade é fundamental para o projeto continuar no Grajaú, já que o deslocamento é facilitado para os participantes, “nossa ideia é que o modelo do empreendimento venha viralizar e vá para outros locais. Porém que não dependa de nós. A ideia é uma metodologia online para as pessoas terem referências”, conclui. As parcerias são essenciais para a roda girar e o bairro do Grajaú possa ser autossustentável e paralelo ao sistema político econômico. Para que esse desejo seja realizado, Renata Lara espera no futuro sistematizar o aprendizado adquirido durante os 11 anos de existência, “queremos dar suporte a outros empreendimentos similar para construir um novo mundo. Que ondas como essa seja uma saída para a sobrevivência no planeta de forma equilibrada”, descreve.

O papel da Incubadora Impacta Mulher para a Casa Anitcha chega em um momento de transformação interna e profissional da empreendedora. Hoje, o projeto não abriga muitos moradores por este motivo a reestruturação do mesmo. A capacitação com professores e mentores – além do suporte chama a atenção, “sou muito grata. A rede que se forma entre as próprias empreendedoras está me ajudando muito, estou me redescobrindo. Me sinto em uma irmandade com mulheres incríveis está sendo fundamental para continuar o trabalho”, finaliza. Em 2015, o Prêmio Ações Locais Rio450, já em 2016, o Prêmio Ações Locais, são alguns reconhecimentos pelo belo trabalho do Festival Desapegue-se. Conceitos e realizações definem a Casa Anitcha.  Renata Lara é participante do segundo ciclo da Incubadora Impacta Mulher, realizada pela Asplande em parceria com a Social Starters e apoio British Council.

Por Beatriz Carvalho, voluntária da Asplande.