Retrato da Jupira Bispo
Aliar o artesanato ao reaproveitamento de materiais é uma forma de contribuir para a redução do desperdício tão presente no mundo de hoje, preservando recursos naturais e barateando a produção.
Jupira Bispo, 56 anos, moradora de Campo Grande, mãe de Bárbara e Beatriz, é uma artesã que dá essa contribuição ao nosso mundo. Trabalha com bijuterias feitas com reaproveitamento de tecidos, papelão e garrafas plásticas e tem um rendimento financeiro que, se hoje é um complemento, já houve um tempo em que era imprescindível para o sustento da família.
Natural de Corumbá, Mato Grosso do Sul, Jupira veio para o Rio porque seu marido, militar da marinha, veio transferido de lá. Em Corumbá, ela trabalhava com artesanato, fazia cartões em papel vegetal, mas parou com a vinda para o Rio.
Nos primeiros anos, passou até necessidade, mas se dedicou a cuidar da casa e das filhas. Com o passar do tempo, viu que precisava ter renda própria para não depender somente do marido, que bebia muito, o que interferia em suas vidas. Pensou em tornar-se artesã novamente, começou a sonhar com seu negócio, a pesquisar e criar peças, até encontrar uma porta aberta.
Pois é, o projeto brotou do sonho quando Bárbara usou na faculdade FEUC um colarzinho feito por Jupira com base em outro comprado pelo marido. Suas colegas acharam lindo, ela vendeu e pediu à mãe que fizesse outros. A partir daí, Jupira desenvolveu outros colares e pulseiras e ficou sabendo da feira que funcionava na FEUC, onde de fato nasceu seu negócio.
Para expandi-lo, saiu divulgando seus produtos, inicialmente de porta em porta e no comércio do bairro, até dar um novo salto. Conheceu a Feira de Economia Solidária da Zona Oeste, começou a frequentar as reuniões da Rede de Mulheres Empreendedoras, conseguiu seu lugar na feira de Campo Grande e em outras feiras da Rede, até ser convidada a conhecer a Asplande, onde lhe disseram que teria mais oportunidades.
Em sua primeira reunião da Asplande, conheceu Dayse Valença, que logo recomendou que ela escrevesse para a irmã Lourdes Dill, de Santa Maria (RS), coordenadora do Projeto Esperança/Cooesperança e da maior feira brasileira da economia solidária, a FEICOOP (Feira Internacional de Economia Solidária). Jupira fez esse contato e foi participar da feira, muito tensa na primeira vez, mas encarou, gostou e voltou outras vezes.
Atualmente Jupira atua como coordenadora da Feira do Circuito Rio Ecosol da Zona Oeste no calçadão de Campo Grande, está até hoje na Asplande e é muito grata pelo que conseguiu realizar. Ela trilhou um caminho de muito trabalho, sempre correu atrás dos seus objetivos, nunca desistiu. Hoje tem uma clientela que a conhece e conta com ela para produzir lembrancinhas e encomendas diversas.
Jupira deixe uma mensagem para as novas artesãs. “Não fique triste porque naquele dia você não vendeu nada, porque as pessoas só olharam os produtos, mas não compraram. Lembre-se, se não vendeu hoje, tem amanhã, tem depois de amanhã e assim você vai. Não desista!”